{"id":312,"date":"2005-08-02T11:21:00","date_gmt":"2005-08-02T16:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/imaginarios.net\/testando\/dpadua\/?p=312"},"modified":"2005-08-02T11:21:00","modified_gmt":"2005-08-02T16:21:00","slug":"nartisan-imaginarios-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/imaginarios.com.br\/dpadua\/?p=312","title":{"rendered":"Nartisan-Imagin\u00e1rios do Cerrado"},"content":{"rendered":"<h3>Muita gente n\u00e3o v\u00ea liga\u00e7\u00e3o entre as coisas que eu penso\/falo ao<br \/>\nlongo do<br \/>\ntempo. Claro que por culpa minha. Mas enfim, t\u00e1 aqui uma historinha de<br \/>\nmim mesmo, escrita agora, sem revis\u00e3o, pra quem tenta entender o jogo despreocupado do &#8220;Profeta Agregante&#8221;.<br  \/><br \/>\n<\/h3>\n<p><br  \/><br \/>\nQuando eu sa\u00ed remendando os preceitos do conhecimento livre (via remix<br \/>\nem rede colaborativa) em tudo quanto \u00e9 a\u00e7\u00e3o humana, buscando reconhecer<br \/>\ne exp\u00f4r os elos de uma cadeia social qualquer, e chamei de <b>terras livres<\/b><br \/>\na a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria pra criar uma agrega\u00e7\u00e3o social totalmente fundada no<br \/>\ncompartilhamento simb\u00f3lico\/t\u00e9cnico\/art\u00edstico, do uso do ch\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o<br \/>\nde comida, da gera\u00e7\u00e3o de energia \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de foguetes, eu pressupus<br \/>\nque um <i>perfil sens\u00edvel m\u00ednimo<\/i> era necess\u00e1rio para se engajar-sustentar-escalar uma din\u00e2mica dessa: o <i>nartisan<\/i> (artes\u00e3o de redes). Sabendo que, obviamente, a din\u00e2mica faz o nartisan e vice-versa.<\/p>\n<p>Posteriormente, parti observando situa\u00e7\u00f5es &#8220;nartisan&#8221; por a\u00ed. J\u00e1 havia encontrado os <b>articuladores-tuxauas<\/b>, mas ainda faltava algo na agrega\u00e7\u00e3o deles. Os <b>encontros-rituais festeiros<\/b>,<br \/>\nexpress\u00e3o b\u00e1sica de intera\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia, onde nada importa a n\u00e3o<br \/>\nser o remix de sentidos, pela arte\/t\u00e9cnica\/toque. Aquele jogo<br \/>\nl\u00fadico-social mais fundamental pra minha vida. O <i>Sinapse Digital<\/i> foi um deles e as <i>oficinas implementadoras dos Pontos de Cultura<\/i> tamb\u00e9m o pretendem ser (e devem conseguir). Mas ainda os sinto pouco focados no contato <b>org\u00e2nico<\/b> das pessoas. Vivi minhas intera\u00e7\u00f5es sob um <i>excesso de cuidado e de eletricidade\/inorg\u00e2nico<\/i><br \/>\npor muito tempo. Quero reduzir a complexidade t\u00e9cnica da media\u00e7\u00e3o nas<br \/>\nminhas rela\u00e7\u00f5es, assim diminuindo as travas para entrar em contato com<br \/>\no outro. E vejo um mundo onde essa media\u00e7\u00e3o olho-no-olho, boca-a-boca,<br \/>\nainda \u00e9 o costume mais b\u00e1sico, mais irresist\u00edvel-fulgurante. Mas s\u00e3o<br \/>\nintera\u00e7\u00f5es prisioneiras da complexidade t\u00e9cnica do nosso mundo<br \/>\naltamente controlado por oligarquias.<\/p>\n<p>Tentando delinear uma din\u00e2mica de resist\u00eancia, que estimulasse o<br \/>\nnartisan atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es compartilhadas, para aumentar o contato<br \/>\norg\u00e2nico na minha pr\u00f3pria vida, pensei em <b>L4N<\/b>, que por muito presa \u00e0 tecnologia digital, cresceu para <b>Entrementes<\/b>,<br \/>\nreconhecendo que tratam-se de v\u00e1rias din\u00e2micas fundadas no remix e a<br \/>\nebuli\u00e7\u00e3o\/remix constante destas pr\u00f3prias din\u00e2micas. Num mundo altamente<br \/>\nacostumado \u00e0 media\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, uma nova m\u00eddia deve existir para<br \/>\ncomportar estas movimenta\u00e7\u00f5es. Uma <i>Internet<\/i> inteiramente livre e projetada para a agrega\u00e7\u00e3o emergente dos pensamentos e express\u00f5es. De <i>livenodes<\/i><br \/>\ncostumo chamar essa infra-estrutura esperta, e estou h\u00e1 6 anos pensando<br \/>\ne trabalhando com meu p\u00edfio conhecimento t\u00e9cnico para implement\u00e1-la.<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o estou falando necessariamente de computadores, mas de<br \/>\nagrega\u00e7\u00e3o constante e aberta de representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas. Use a<br \/>\ntecnologia que quiser.<\/p>\n<p>Percebidos (e ruminados sem tr\u00e9gua) os elementos b\u00e1sicos da din\u00e2mica,<br \/>\neu continuo a circular onde posso, conjurando e vasculhando rela\u00e7\u00f5es<br \/>\nque me levem ao <b>meu nartisan<\/b>. Nesta caminhada, que, pra mim \u00e9 a<br \/>\nessencial, cheguei a Bras\u00edlia. Disposto a viver estes encontros-rituais<br \/>\nfesteiros nos Pontos de Cultura. Mas por um desvio estrat\u00e9gico (ou<br \/>\nseria o destino?) n\u00e3o pude adentrar o circuito social dos pontos com a<br \/>\nintensidade que almejava. Isso n\u00e3o barrou a aglomera\u00e7\u00e3o dos <b>imagin\u00e1rios<\/b>, que emergiram da grande amizade que cultivo com o Daniel Duende (<a href=\"http:\/\/newalriadaexpress.blogspot.com\/\">seu cabe\u00e7\u00e3o da porra<\/a>), e agora com toda a teia de incandescentes que pude conhecer em Bras\u00edlia. Uma vez <i>sentido o sentido<\/i><br \/>\ndos rituais que todos queriam, fizemos alguns saraus de remix onde tudo<br \/>\n\u00e9 compartilhado para criar universos m\u00edticos comuns: obras,<br \/>\nperformances, nuances. A partir disso, os la\u00e7os se adensam e novas e<br \/>\nmais profundas constru\u00e7\u00f5es sociais florescem. Mas eu entrei numa crise<br \/>\nrelacional forte que minou meu \u00e2nimo, e n\u00e3o consegui mais agitar outras<br \/>\nreuni\u00f5es&#8230; sim, sou uma pessoinha fraca e <b>tudo<\/b> em mim (e em voc\u00ea?) interdepende. Entretanto, o tempo n\u00e3o cansa de assistir, e (da pior maneira) retomei meu fluxo. Sozinho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/entrementes.net\/midiateca\/dpadua\/seuestrelo.png\" align=\"left\" border=\"0\"><br \/>\nDe volta a mim, dolorido e fr\u00e1gil, me encontro numa tarefa \u00e1rdua. <b>Reencontrar o sentido\/vontade de viver meu nartisan<\/b>,<br \/>\ne continuar costurando a colcha a partir do fio da meada perdido num<br \/>\ncantinho do passado. Aquela que leva ao cora\u00e7\u00e3o livre e em seguida \u00e0s<br \/>\nterras livres. Mais uma vez, a sensa\u00e7\u00e3o que Deus constr\u00f3i caminhos<br \/>\nentre os que se procuram&#8230; fui praticamente engolido por um rodamoinho<br \/>\nde <b>imagin\u00e1rios do cerrado<\/b>: o pessoal do <i>Multir\u00e3o<\/i> (agrega\u00e7\u00e3o de cultura urbano-hip-hop) e do <i>Seu Estrelo e o Fu\u00e1 do Terreiro<\/i> (a\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o m\u00edtica e festejo das vertentes culturais brasileiras no cerrado), que conheci atrav\u00e9s do baiano <i>Max Rodrigues<\/i>,<br \/>\noutro n\u00f4made-nartisan que se enfresta no Minist\u00e9rio da Cultura. Duas<br \/>\nsemanas em festas, viagens, encontros e conversas com essas pessoas<br \/>\namadas, e percebi na interface entre todos eles e o movimento<br \/>\nimagin\u00e1rio que comecei com o Duende. Agora, o conceito se expande e o<br \/>\nvalor dos <b>mitos\/folclore\/legado<\/b> bate forte para completar o que faltava na minha percep\u00e7\u00e3o. Toda religi\u00e3o tem seus personagens e cen\u00e1rios. The bottom line.<\/p>\n<p><b>Come\u00e7a uma nova fase.<\/b> O <i>&#8220;ritual imagin\u00e1rio&#8221;<\/i> expande\/costura em conceito e sentido, o &#8220;<i>livenodes&#8221;<\/i> fica mais real e flex\u00edvel como implementa\u00e7\u00e3o imediata, o sonho das &#8220;<i>terras livres&#8221;<\/i> j\u00e1 povoa algumas mentes cruciais e lentamente se estrutura (como sempre, emerge), e as <i>rela\u00e7\u00f5es entre &#8220;nartisan&#8221;<\/i> de vertentes e ra\u00edzes diversas se entrela\u00e7am. No meio disso tudo, eu me rearranjo. E continuo, <b>turbilh\u00e3o de esperan\u00e7a<\/b>.<\/p>\n<p>Voc\u00eas s\u00e3o incr\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente n\u00e3o v\u00ea liga\u00e7\u00e3o entre as coisas que eu penso\/falo ao longo do tempo. Claro que por culpa minha. Mas enfim, t\u00e1 aqui uma historinha de mim mesmo, escrita agora, sem revis\u00e3o, pra quem tenta entender o jogo despreocupado do &#8220;Profeta Agregante&#8221;. 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